Devocional

Orando em Secreto

Por David Wilkerson

23 de outubro de 2006

Tenho uma pergunta para você: o que o povo cristão pode fazer em períodos de julgamento iminente da parte de Deus, para mover o coração do Senhor?

Estamos vendo calamidades naturais numa escala como nunca houve antes: ondas marítimas gigantescas, furacões, incêndios, inundações, secas. Penso nas devastações que abalaram todo o mundo, perpetradas pelo tsunami, pelo furacão Katrina, por terremotos na Índia e no Paquistão.

Penso também no medo e no desespero causados por calamidades produzidas pelo homem: os eventos de 11 de setembro de 2001, o conflito entre Israel e o Líbano, armas nucleares nas mãos de homens insanos. Até os comentaristas mais céticos dizem que já estamos vendo os inícios da 3ª guerra mundial.

Agora mesmo, muçulmanos em inúmeros países ameaçam destruir o cristianismo. Quando estive em Londres há pouco, ouvi dois jovens muçulmanos dizendo numa entrevista no rádio: "A nossa religião não é como o cristianismo. Não viramos a outra face. Decapitamos a cabeça do outro".

Eu lhe pergunto: em tempos difíceis como esse, a igreja estaria sem poder para fazer algo? Devemos ficar sentados e esperar que Cristo volte? Ou, somos chamados a tomar ação drástica de algum tipo? Quando em torno de nós o mundo inteiro treme, e o coração dos homens entra em falência por causa do medo, somos chamados para erguer armas espirituais e guerrearmos o adversário?

Por todo o globo, há uma sensação de que é inútil tentar resolver os problemas que se acumulam. Muitos sentem que o mundo atingiu o zênite da desesperança. O alcoolismo aumenta no mundo todo, e mais jovens do que nunca entram em bebedeiras. Vejo uma tendência igualmente perturbadora na igreja, à medida que cristãos se voltam para o materialismo. A mensagem que suas vidas pregam é: "Acabou a esperança. Deus desistiu".

Diga-me, seria esse o papel do povo de Deus em tempos negros? Será que os seguidores de Cristo devem cair um após o outro com o resto do mundo, e pegar à força uma fatia do bolo? Não, nunca!

Um Clamor Sem Voz

Por David Wilkerson
19 de agosto de 2002

Fonte: http://www.tscpulpitseries.org/portuguese.html

Em Marcos 7, vemos Jesus realizando um grande milagre. Toda a dramática cena ocorre em apenas cinco versículos:

“De novo, se retirou das terras de Tiro e foi por Sidom até ao mar da Galiléia, através do território de Decápolis. Então, lhe trouxeram um surdo e gago e lhe suplicaram que impusesse as mãos sobre ele. Jesus, tirando-o da multidão, à parte, pôs-lhe os dedos nos ouvidos e lhe tocou a língua com saliva; depois, erguendo os olhos ao céu, suspirou e disse: Efatá!, que quer dizer: Abre-te! Abriram-se-lhe os ouvidos, e logo se lhe soltou o empecilho da língua, e falava desembaraçadamente” (Marcos 7.31-35).

Imagine a cena. Quando Jesus chegou aos termos de Decápolis, encontrou um homem que era ao mesmo tempo surdo e gago. O homem conseguia falar, mas suas palavras não eram compreensíveis. Cristo levou o homem à parte, separado da multidão. Ali diante daquele homem, Jesus colocou os dedos nos próprios ouvidos. Depois cuspiu, e tocou em Sua própria língua. Falou duas palavras: “Abre-te”. No mesmo instante, o homem conseguiu ouvir e falar claramente.

Pouco antes desta cena, Jesus havia libertado a filha endemoninhada de uma mulher. Simplesmente proferindo uma palavra, Ele expulsou o espírito maligno da moça. Pergunto: por que estes dois milagres estão registrados nas Escrituras? Foram incluídos como apenas mais duas cenas da vida do Senhor na terra?

Uma revolução na nossa vida de oração

George Verwer

Um dos mais deprimentes sinais na igreja de hoje é a falta de oração tanto a sós como em grupos. É quase incrível ver quão pouco a igreja em geral se apóia na oração para fazer a obra de Deus. Quando há uma reunião de oração, só um pequeno número participa. Noites de oração, reuniões de oração nos lares, dias de oração e jejum— uma parte tão importante da Igreja primitiva — parecem não ser mais que relíquias cristãs, hoje em dia. Porque estão ocupadas, as pessoas convencem-se de que estão demasiado ocupadas para orar. A Igreja tem procurado inúmeros substitutos para a oração a fim de levar a cabo o trabalho que só pode ser feito através da oração.

Se levarmos a sério o fato de sermos revolucionários espirituais, temos de decidir aprender a orar! Há muitos livros excelentes sobre o assunto, mas não há nada que substitua o ajoelharmo-nos e começarmos a orar. Samuel Chadwick disse: "A única preocupação do diabo é afastar os santos da oração. Ele nada receia de estudos sem oração, de trabalho sem oração, de religião sem oração. Ri-se do nosso labor, zomba da nossa sabedoria, mas treme quando oramos."

O cume do monte da nossa vida de oração será adoração. Todos os dias se deve reservar tempo específico para subir ao cume da realidade espiritual através da adoração, louvor e ação de graças. O rei Davi declarou: "Louvarei com cânticos o nome de Deus, exaltá-lo-ei com ações de graça. Será isto muito mais agradável ao Senhor do que um boi ou um novilho com chifres e unhas" (Salmo 69:30,31).

A autenticidade no culto criará uma revolução espiritual no homem interior, algo que poucas pessoas têm experimentado no século vinte. Não se conseguirá num ano ou dois, nem talvez em dez ou vinte. Contudo, uma vez que esta é a mais alta chamada do cristão, vale bem a pena, seja qual for o número de anos, chegar a conhecer a realidade no culto diário. Não há aspecto mais importante do que esta na revolução espiritual.

Há um sentido em que nós podemos "orar sem cessar", e fazer oração e louvar a Deus a qualquer hora do dia. Contudo, há também a necessidade de nos separarmos a nós mesmos dos outros seres humanos e de ficarmos a sós com Deus. Toda a Igreja e a causa de Cristo ao redor do mundo estão a sofrer por falta deste tipo de oração. Se a única resposta dada a este livro fosse a determinação de separar todos os dias um período definido para oração, louvor e deleite na Palavra de Deus, o livro seria eminentemente bem sucedido. Pois pela oração podemos chegar a ver os outros princípios da revolução espiritual, os quais nos levarão de vitória em vitória, na medida em que a Palavra de Deus se mistura com a nossa fé.

Extraído do livro: Vida em Profundidade

A Importância da Auto-Análise

A. W. Tozer


Pouca coisa revela tão bem o medo e a incerteza dos homens quanto o esforço que fazem para ocultar seu verdadeiro "eu" uns dos outros e até mesmo a seus próprios olhos. Quase todos os homens vivem desde a infância até a morte por trás de uma cortina semi-opaca, saindo dela apenas rapidamente quando forçados por algum choque emocional e depois voltando o mais depressa possível ao esconderijo. O resultado desta dissimulação constante é que as pessoas raramente conhecem seus próximos como realmente são e. pior ainda, o disfarce tem tanto êxito que elas nem sequer conhecem a si mesmas.

O autoconhecimento tem tal importância em nossa busca de Deus e de sua justiça, que nos encontramos sob a obrigação de fazer imediatamente aquilo que for necessário para remover o disfarce e permitir que nosso "eu" real seja conhecido. Uma das supremas tragédias em religião é o fato de nos termos em tão alta conta, enquanto a evidência aponta justamente o contrário; e nossa auto-admiração bloqueia eficazmente qualquer esforço possível para descobrir uma cura para a nossa condição. Só o indivíduo que sabe que está doente é que procura o médico.

Por Que Somos Indiferentes Quanto ao Retorno de Cristo

A. W. Tozer


Logo depois do término da primeira guerra mundial, ouvi um grande pregador do sul dizer que temia que o intenso interesse pela profecia generalizada naquela época resultaria na morte da bendita esperança quando os eventos provassem que os entusiásticos intérpretes estavam errados.

O homem era profeta, ou pelo menos um estudioso notavelmente perspicaz da natureza humana, pois aconteceu exatamente e que ele predisse. A esperança da vinda de Cristo está quase morta hoje em dia entre os cristãos bíblicos.

Não significa que tenham abandonado a doutrina do segundo advento. De modo nenhum. Tem havido, como todas as pessoas bem informadas sabem, um ajustamento entre alguns dos pontos doutrinários menores do nosso credo, mas a imensa maioria dos evangélicos firmes continua sustentando a crença em que Jesus Cristo algum dia voltará de fato à terra em pessoa. A vitória final de Cristo é aceita como uma das inabaláveis doutrinas da Escritura Sagrada.

Todavia, o retorno de Cristo como bendita esperança está quase morto entre nós, como já disse. A verdade referente ao segundo advento onde é apresentada hoje, é na maior parte acadêmica ou política. O jubiloso elemento pessoal falta por completo. Onde estão aqueles que "Tanto anseiam pelo sinal ó Cristo, do Teu cumprimento; pelo chamejar desvanecem, dos Teus passos em Teu advento?"

A aspiração por ver a Cristo que queimava o peito daqueles primeiros cristãos parece ter-se queimado toda. Tudo que resta são cinzas. É precisamente o "anseio" e o "desvanecimento" pelo retorno de Cristo que distingue entre a esperança pessoal e a teológica. O mero conhecimento da doutrina correta é pobre substituto de Cristo, e a familiaridade com a escatologia do Novo Testamento nunca tomará o lugar do desejo inflamado de amor de fitar Sua face.

Se o ardoroso anelo desapareceu da esperança do advento hoje, deve haver razão para isto; acho que sei qual é, ou quais são, pois há um bom número delas. Uma é simplesmente que a teologia fundamentalista popular tem dado ênfase à utilidade da cruz, e não à beleza dAquele que nela morreu. A relação do salvo com Cristo é apresentada como contratual, em vez de pessoal. Tem-se acentuado tanto a "obra" de Cristo, que esta eclipsou a pessoa de Cristo. Permitiu-se que a substituição tomasse o lugar da identificação. O que Ele fez por mim parece mais importante do que o que Ele é para mim. Vê-se a redenção como uma transação de negócio direto que "aceitamos"; e à coisa toda fica faltando conteúdo emocional. Temos de amar muito a alguém, para ficarmos despertos esperando a sua vinda, e isso talvez explique a ausência de vigor na esperança do advento entre aqueles que ainda crêem nela.

Outra razão da ausência de real anseio pelo retorno de Cristo é que os cristãos se sentem tão bem neste mundo que têm pouco desejo de deixá-lo. Para os líderes que regulam o passo da religião e determinam o seu conteúdo e a sua qualidade, o cristianismo tornou-se afinal notavelmente lucrativo. As ruas de ouro não exercem atração muito grande sobre aqueles que acham fácil amontoar ouro e prata no serviço do Senhor cá na terra. Todos queremos reservar a esperança do céu como uma espécie de seguro contra o dia da morte, mas enquanto temos saúde e conforto, por que trocar um bem que conhecemos por uma coisa a respeito da qual pouco sabemos? Assim raciocina a mente carnal, e com tal sutileza que dificilmente ficamos cientes disso.

Outra coisa; nestes tempos a religião passou a ser uma brincadeira boa e festiva neste presente mundo, e, por que ter pressa quanto ao céu, seja como for? O cristianismo, contrariamente ao que alguns pensaram, é forma diversa e mais elevada de entretenimento. Cristo padeceu todo o sofrimento. Derramou todas as lágrimas e carregou todas as cruzes; temos apenas que desfrutar os benefícios das suas dores em forma de prazeres religiosos modelados segundo o mundo e levados adiante em nome de Jesus. É o que dizem pessoas que ao mesmo tempo afirmam que crêem na segunda vinda de Cristo.

A história revela que os tempos de sofrimento da igreja têm sido igualmente tempos de alçar os olhos. A tribulação sempre deu sobriedade ao povo de Deus e o encorajou a buscar e a esperar ansiosamente o retorno do seu Salvador. A nossa presente preocupação com este mundo pode ser um aviso de amargos dias por vir. Deus fará com que nos desapeguemos da terra de algum modo - do modo fácil, se possível; do difícil, se necessário.

OBEDIÊNCIA

Andrew Murray

Quando se pretende estudar uma palavra da Bíblia, ou alguma verdade da vida cristã, é de grande auxílio fazer minucioso exame do lugar que elas ocupam nas Escrituras. À medida que virmos onde aparecem, quantas vezes são mencionadas, e em que conexões se encontram, torna-se evidente a importância que têm e como se relacionam com o todo da revelação. Permitam-me tentar, neste primeiro capítulo, preparar o caminho para o estudo do que é a obediência, mostrando-lhes a que partes da Palavra de Deus nos devemos dirigir para descobrir a mente de Deus a esse respeito.

I. CONSIDERE AS ESCRITURAS COMO UM TODO

Começaremos no Paraíso. Em Gênesis 2.16, lemos: "E o Senhor Deus lhe deu esta ordem:...", e mais tarde, em Gênesis 3.11, "Comeste da árvore de que te ordenei que não comesses?" Perceba que a obediência ao mandamento é a única virtude do Paraíso, a única condição da permanência do homem ali, a única coisa que o seu Criador lhe pede. Nada se diz sobre fé, ou humildade, ou amor: a obediência inclui isso tudo. Provém da soberania de Deus o direito e a autoridade de exigir obediência, e fazer dela a coisa que vai DETERMINAR O DESTINO DO HOMEM. Na vida do homem, obedecer é a única coisa essencial.

Volte-se agora do início para o final da Bíblia.

No último capítulo se lê (Ap 22.14): "Bem-aventurados aqueles que guardam os seus mandamentos, para que tenham poder na árvore da vida" Temos o mesmo pensamento nos capítulos 12 e 14, onde lemos sobre os descendentes da mulher (12.17), "que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus"; e da paciência dos santos (14.12), "os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus".

Do início ao fim, da perda do Paraíso até a sua recuperação, permanece imutável a lei - é somente a obediência que permite acesso à árvore da vida e ao favor de Deus. E se você indagar o que é que provocou a mudança entre a desobediência inicial, a qual fechou o acesso à árvore da vida, e a obediência do final que proporcionou o retorno a ela, volte-se para O QUE ACONTECEU NO MEIO DO CAMINHO entre o início e o fim - a cruz de Cristo. Leia Romanos 5.19: "... por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos"; ou Filipenses 2.8,9: "... tornando-se obediente até a morte e morte de cruz. Pelo que também Deus o exaltou sobremaneira..."; ou Hebreus 5.8,9: "... embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas coisas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem...", e voce perceberá que a redenção de Cristo consiste na restauração da obediência a seu lugar apropriado.

A beleza da Sua salvação consiste nisto, que Ele nos reconduz à vida de obediência, que é a única forma de a criatura dar ao Criador a glória devida a Ele, ou receber a glória da qual o Criador deseja fazer a criatura participante.

Paraíso, Calvário, Céu, todos proclamam a uma só voz: "Filho de Deus! a primeira e a última coisa que teu Deus requer de ti é simples, total, imutável obediência".

Sinais do Homem Espiritual

A. W. Tozer

O conceito de espiritualidade varia entre os diversos grupos cristãos. Em alguns círculos, a pessoa que fala incessantemente de religião é julgada como sendo muito espiritual. Outros aceitam a exuberância ruidosa como um sinal de espiritualidade, e em algumas igrejas, o homem que ora em primeiro lugar, por mais tempo e mais alto consegue uma reputação de ser o mais espiritual na assembléia.

Um testemunho vigoroso, orações freqüentes e louvor em voz alta podem entrosar-se perfeitamente com a espiritualidade, mas é importante entendermos que em si mesmos eles não constituem nem provam a presença da mesma.

A verdadeira espiritualidade manifesta-se em certos desejos dominantes. Eles são desejos sempre presentes, fixos, suficientemente poderosos para dominar e controlar a vida da pessoa. Para facilitar, vou mencioná-los, embora não me esforce para decidir sua ordem de importância.

1. Primeiro, o desejo de ser santo em lugar de feliz. A busca da felicidade, tão difundida entre os cristãos que professam uma santidade superior e prova suficiente de que tal santidade não se acha presente. O homem verdadeiramente espiritual sabe que Deus dará abundância de alegria no momento em que possamos recebê-la sem prejudicar nossa alma, mas não exige obtê-la imediatamente. John Wesley falou a respeito de uma das primeiras sociedades metodistas da qual duvidava terem seus membros sido aperfeiçoados em amor, pois iam à igreja para apreciar a religião em lugar de aprender como tornar-se santos.