O PERIGO DO ORGULHO ESPIRITUAL

Esta é a principal e pior causa de queda que prevalece nos nossos dias, principalmente entre aqueles que estão numa posição de liderança na casa de Deus. É a porta que o diabo tem usado para entrar nos corações daqueles que tem zêlo pelo avanço da obra de Cristo. Mas, o que significa orgulho espiritual? Parece estranho, como pode haver orgulho em algo espiritual? Mas infelizmente é um fato que tem ocorrido cada vez com maior freqüência. Seu significado pode ser explicado com alguns exemplos muito comuns nos dias de hoje:

*      Crescimento na revelação de verdades das escrituras;
*      Os frutos. Vários discípulos foram ganhos, e esses discípulos também foram se multiplicando;
*      A igreja na casa sob sua liderança, cresce em número rapidamente;
*     Outras cidades. Irmãos de outras cidades impactados com o que Deus está fazendo em sua cidade, o procuram para receber ajuda;
*      Um número cada vez maior de irmãos que o procura para pedir conselhos e orientações;
*      Manifestação de dons espirituais. O Senhor o tem usado para edificar o corpo.

Infelizmente nenhum de nós está livre desse veneno, por isso, clamemos àquele que sonda as profundezas do coração para que venha em nosso socorro. “Aquele, pois, que pensa estar em pé veja que não caia.” 1 Co 10:12 Examinemos constantemente a nós mesmos, principalmente com a ajuda de nossos irmãos. Confrontemo-nos à luz da experiência de Paulo: “E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. 8  Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. 9  Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. 10  Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte.”  2 Co 12:7-10

“QUANTO MAIOR FOR A SANTIDADE,

MAIS PROFUNDA DEVE SER A HUMILDADE”

Como o orgulho espiritual é sutíl por natureza, geralmente é muito difícil detectá-lo prontamente. Ele se manifesta ao longo do tempo por seus frutos e efeitos, alguns dos quais desejamos mencionar junto com os frutos opostos da humildade que deve marcar a vida de um discípulo de Jesus. A pessoa espiritualmente orgulhosa:

*      Sente que já está cheio de luz, por isso, não necessita de instrução. Assim, terá a tendência de prontamente rejeitar qualquer oferta de ajuda nesse sentido. Por outro lado, a pessoa humilde é como uma pequena criança que facilmente recebe instrução. É cautelosa no seu conceito de si mesma, sensível à sua grande facilidade em se desviar. Se alguém lhe sugere que está, de fato, saindo do caminho reto, mostra pronta disposição em examinar a questão e ouvir as advertências. “Naquela hora, aproximaram-se de Jesus os discípulos, perguntando: Quem é, porventura, o maior no reino dos céus? 2  E Jesus, chamando uma criança, colocou-a no meio deles. 3  E disse: Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrareis no reino dos céus. 4  Portanto, aquele que se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus.” Mt 18:1-4

*      Tende a falar dos pecados dos demais irmãos sem expressar misericórdia: o terrível engano dos hipócritas, a falta de vida daqueles irmãos que têm amargura, a resistência de alguns crentes à santidade. A pura humildade cristã, porém, se cala sobre os pecados dos outros ou, no máximo, fala a respeito deles com tristeza e compaixão. “Tende o mesmo sentimento uns para com os outros; em lugar de serdes orgulhosos, condescendei com o que é humilde; não sejais sábios aos vossos próprios olhos.” Rm 12:16

“Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de ternos afetos de misericórdia, de bondade, de humildade, de mansidão, de longanimidade. 13  Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós;” Cl 3:12-13

*      Critica os outros cristãos por sua falta de crescimento na graça, enquanto o crente humilde vê tanta maldade em seu próprio coração, e se preocupa tanto com isso, que não tem muita atenção para dar aos corações dos outros. Queixa-se mais de si próprio e da sua própria frieza espiritual; sua sincera esperança é que todos os demais irmãos tenham mais amor e gratidão a Deus do que ele. “Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo.” Fl 2:3

*      Fala freqüentemente de quase tudo que percebe nos outros em termos extremamente severos e ásperos, mesmo tendo recebido tal palavra do Senhor. É comum dizer que a opinião, conduta ou atitude de outra pessoa é do diabo ou do inferno. Muitas vezes, sua crítica é direcionada não só a pessoas ímpias, mas a verdadeiros filhos de Deus e a pessoas que são seus líderes. Justificam tal atitude, por estarem falando em “nome de Deus”. Os humildes, entretanto, mesmo quando recebem palavras tremendas da parte de Deus, sentem-se tão esmagados pela sua própria indignidade e impureza, que suas exortações a outros cristãos são transmitidas de forma amorosa e humilde. Quando necessitam tratar alguma questão com seus irmãos e companheiros, eles procuram fazê-lo com a mesma humildade e mansidão com que Cristo faria. “Irmãos, se alguém for surpreendido nalguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de brandura; e guarda-te para que não sejas também tentado.” Gl 6:1

*      Comporta-se de modo diferente na sua aparência exterior, assume um jeito diferente de falar, de se expressar ou de agir. Por outro lado, o cristão humilde - mesmo sendo firme no seu dever, permanecendo sozinho no caminho do céu ainda que o mundo inteiro o abandone - não sente prazer em ser diferente só para ser diferente. Não procura se colocar numa posição de destaque, de modo a ser notado como alguém  especial; muito pelo contrário, dispõe-se a servir a todas as pessoas, a ceder aos outros, a se adaptar aos outros e a agradá-los em tudo menos no pecado. “Propôs também esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, por se considerarem justos, e desprezavam os outros: 10  Dois homens subiram ao templo com o propósito de orar: um, fariseu, e o outro, publicano. 11  O fariseu, posto em pé, orava de si para si mesmo, desta forma: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros, nem ainda como este publicano; 12  jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho. 13  O publicano, estando em pé, longe, não ousava nem ainda levantar os olhos ao céu, mas batia no peito, dizendo: Ó Deus, sê propício a mim, pecador! 14  Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque todo o que se exalta será humilhado; mas o que se humilha será exaltado.” Lc 18:9-14

“Seja outro o que te louve, e não a tua boca; o estrangeiro, e não os teus lábios.” Pv 27:2

“A soberba precede a ruína, e a altivez do espírito, a queda.” Pv 16:18

*      Incomodá-se muito com a oposição, injúrias e criticas; tende a falar dessas coisas freqüentemente com um ar de amargura ou desprezo. A humildade cristã, em contraste, leva a pessoa a ser mais semelhante ao seu bendito Senhor, o qual, quando foi maltratado não abriu sua boca, mas se entregou em silêncio àquele que julga retamente. O cristão humilde, está sempre aberto às correções que os demais irmãos queiram fazer em sua vida, considerando-as uma oportunidade para crescer em santidade. No que diz respeito às críticas do  mundo, quanto mais clamorosa e furiosa for tal manifestação contra ele, mais silencioso e quieto ficará, com exceção de quando estiver no seu quarto de oração: lá ele não ficará calado. “porque isto é grato, que alguém suporte tristezas, sofrendo injustamente, por motivo de sua consciência para com Deus. 20  Pois que glória há, se, pecando e sendo esbofeteados por isso, o suportais com paciência? Se, entretanto, quando praticais o bem, sois igualmente afligidos e o suportais com paciência, isto é grato a Deus. 21Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exemplo para seguirdes os seus passos, 22  o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca; 23  pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quando maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente,” 1 Pd 2:19-23

“O que repreende o escarnecedor traz afronta sobre si; e o que censura o perverso a si mesmo se injuria. 8 Não repreendas o escarnecedor, para que te não aborreça; repreende o sábio, e ele te amará. 9  Dá instrução ao sábio, e ele se fará mais sábio ainda; ensina ao justo, e ele crescerá em prudência.” Pv 9:7-9

*      Comportar-se de forma a tornar-se o centro das atenções, e o faz em detrimento àqueles que o cercam. Tem dificuldade em honrar a outros. É natural que a pessoa que está sob a influência do orgulho entenda que é merecedora de todo o respeito que lhe é oferecido. Se outros demonstram disposição de se submeterem a ela e a cederem em consideração a ela, esta pessoa receberá tais atitudes sem nenhum constrangimento. Na verdade, ela se habituou a esperar tal tratamento e a demonstrar indisposição há quem não lhe oferece aquilo que ela pensa merecer. “Confia no SENHOR de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento. 9 Não sejas sábio aos teus próprios olhos; teme ao SENHOR e aparta-te do mal;” Pv 3:7,9

“Porque, se alguém cuida ser alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo.” Gl 6:3

“pois dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu.” Ap 3:17

*      Esta sempre mais inclinado a ensinar os outros do que a aprender o que têm para ele.  Tal pessoa naturalmente assume sempre uma posição de mestre, acha que todos precisam do que ela tem para oferecer. O cristão eminentemente humilde entende que precisa da ajuda de todos, ao sentir  o peso da miséria dos outros, suplica e implora ao Senhor por eles; o orgulho espiritual, em contraste, sem misericórdia ordena e adverte com autoridade. “Sabeis estas coisas, meus amados irmãos. Todo homem, pois, seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar.” Tg 1:19

“Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um.” Rm 12:3

Concluindo:

“Não olhemos para o orgulho como um temperamento inconveniente, nem para a humildade somente como uma virtude conveniente, pois um é morte e o outro é vida; um é totalmente diabólico, o outro é totalmente santo. O que temos de orgulho dentro de nós é o que temos de anjo caído vivendo dentro de nós; e o que temos de verdadeira humildade é o que temos do Cordeiro de Deus vivendo dentro de nós. Se nos fosse permitido ver o que o orgulho produz em nossa alma, clamaríamos sem cessar para que essa víbora fosse arrancada de nós, mesmo que com a perda de uma mão ou um olho. Se, por outro lado, nos fosse permitido ver que poder doce, divino e transformador há na humildade, como ela tem poder para expulsar o veneno da natureza que temos e como dá lugar para o Espírito de Deus viver em nós, desejaríamos ser o estrado de todo o mundo a querer a menor  posição dele. Todo o mal em nós tem início pelo orgulho e só terá fim através da humildade. Esta é a verdade: O orgulho tem que morrer em nós, ou nada dos céus poderá viver em nós.”

“Não é uma questão de ter uma alta ou baixa auto-estima. Qualquer pessoa que amadurece como um crente chegará por fim ao lugar onde a auto-estima é substituída pela Cristo-estima. Um homem não combate o baixo conceito que tem de si mesmo tentando elevar-se. A única resposta real para alguém que luta com a (assim chamada) baixa auto-estima é humilhar-se e permitir que o Senhor introduza um senso de segurança e realização, que é dado a qualquer filho de Deus que caminhe em obediência a Ele. Aproximar-se mais do Senhor resulta em uma diminuição proporcional da autoconsciência, que é vital para alcançar humildade de espírito por meio da direção do Espírito Santo.”

“O homem que muitas vezes repreendido endurece a cerviz será quebrantado de repente sem que haja cura.” Pv 29:1

Os textos entre aspas são de autoria de Andrew Murray