MEDITAÇÕES EM 1CORÍNTIOS 14

1 Coríntios 14:1,3-5,26,27,29,31

“Segui o amor e procurai, com zelo, os dons espirituais, mas principalmente que profetizeis. 3 ...o que profetiza fala aos homens, edificando, exortando e consolando. 4 O que fala em outra língua a si mesmo se edifica, mas o que profetiza edifica a igreja. 5 Eu quisera que vós todos falásseis em outras línguas; muito mais, porém, que profetizásseis; pois quem profetiza é superior ao que fala em outras línguas,... 26 Que fazer, pois, irmãos? Quando vos reunis, um tem salmo, outro, doutrina, este traz revelação, aquele, outra língua, e ainda outro, interpretação. Seja tudo feito para edificação. 27 No caso de alguém falar em outra língua, que não sejam mais do que dois ou quando muito três, e isto sucessivamente, e haja quem interprete. 29 Tratando-se de profetas, falem apenas dois ou três, e os outros julguem. 31 Porque todos podereis profetizar, um após outro, para todos aprenderem e serem consolados.”

O que é liturgia? Ordem e forma que se adota. Conjunto de práticas consagradas pelo uso. Não há problema em termos uma liturgia, pois todo encontro tem uma, o problema, na verdade, é perpetuar uma determinada liturgia. E quando fazemos isso, estamos com essa atitude dizendo ao Espírito Santo: Não precisamos mais de ti.

Deus tem uma liturgia para cada reunião, não uma forma pré-estabelecida, mas sim, aquela que Ele quer. É fácil levar um “pacote” pronto, o difícil é depender do Espírito Santo, pois isso demanda intimidade, sensibilidade e docilidade. Não estamos dizendo que devamos ir aos encontros despreparados, sem ter buscado em oração uma palavra para aquele encontro, mas que temos que ter sempre uma certa dose de “insegurança” quanto ao que temos, para que possamos depender do Espírito Santo. Ir com expectativa quanto ao que Ele quer. O objetivo em cada encontro da igreja, seja na casa ou geral, não é agradar a nós mesmos, mas agradar a Ele.

Quando temos algo que consideramos bom, nos acomodamos e não buscamos aquilo que é melhor, aquilo que é perfeito.

Temos que discernir qual é a tradição que está dentro de nós quanto a este assunto, e removê-la. Se não for assim, nunca iremos mudar. Só podemos dizer que estamos vencendo as tradições quando estamos rompendo nossos costumes para fazer o que está nas escrituras. Não fazer algo só por hábito, porque a maioria dos irmãos faz ou porque tem que ser assim. É melhor ficar parado do que produzir coisas de nós mesmos. Ninguém pode agradar a Deus apenas cumprindo um hábito.

Durante muito tempo o perfil de uma boa reunião para a igreja de um modo geral, tem sido o de ter um bom tempo de cânticos, coreografias, etc... E mais uma hora de pregação. É este o modelo que Paulo está nos apresentando? O nosso padrão para sabermos se uma reunião foi boa ou não, são as escrituras, e especificamente I Co 14:26 Este é o modelo de como deve se desenvolver as reuniões da igreja. Que palavras podemos usar para definir este texto? Participação e Espontaneidade.

È importante destacar ainda que, a lista de manifestações estabelecida por Paulo não está acabada, ela está aberta para acréscimos. Há uma grande diferença entre participação e espontaneidade. Para que haja participação, basta planejarmos o encontro. Ex: Estabelecemos previamente que vinte irmãos vão dar testemunhos. Haverá participação, mas planejada. Não é ruim, mas não podemos nos contentar só com isso. Temos que buscar a espontaneidade. A participação não é um fim, mas um meio para alcançarmos a espontaneidade. Ainda que tenhamos uma forma, o que sempre queremos ter é espontaneidade.

Para que haja participação temos que dar um modelo aos demais irmãos. Como? Os pastores e líderes devem animar os demais irmãos pelo exemplo quanto a participação nas reuniões nas casas e geral. É importante destacar que para produzir estímulo nos demais irmãos, principalmente nos mais simples e nos novos, essa participação deve ser da forma mais simples e objetiva possível.

Cada discipulador é responsável

pela participação de seus discípulos.

Não ter medo ou preocupação da reunião tornar-se “xôxa” ou fraca. A verdade é que quando queremos nos livrar de coisas que nos levam a não depender do Espírito Santo, vamos descobrir como realmente estamos, e qual é a graça que temos para o desenvolvimento da reunião.

Quando as reuniões não são “boas” nos sentimos mal porque fica a impressão de que não temos unção. Não queremos ter belas reuniões, queremos depender do Senhor. Se o Senhor nos der uma bela reunião, amém, se não, amém também.

O Senhor é o nosso juiz, Ele sabe que estamos buscando

algo mais genuíno, algo que realmente venha

do Espírito Santo.

O problema é que, no transcorrer da reunião, quando não sabemos o que fazer, cantamos um cântico. É importante deixar claro que o problema não são os cânticos, eles cabem bem dentro de qualquer reunião. Mas, quando cantamos um cântico atrás do outro, inibimos a participação dos irmãos com profecias. Os cânticos nos trazem verdades das escrituras, portanto, podemos repeti-los, orar sobre aquilo que eles dizem, testemunhar, enfim, absorver aquilo que o Senhor quer nos falar através daquele cântico.

Não fazer uso de “manivelas”. Repudiar toda técnica humana de “levar” os irmãos a adoração. Se a reunião não “andar”, não “empurremos”. Se não fizermos isso, nunca vamos aprender. Em muitos lugares os “líderes do louvor” aprenderam a manipular a congregação com técnicas humanas. As pessoas pulam, gritam, dançam, etc, As emoções se realçam. O “louvor” continua até alcançar um clímax, como se não pudéssemos ouvir a palavra enquanto não atingíssemos aquele auge de satisfação.

Com todo temor e respeito aos demais irmãos, a pergunta que temos que fazer é: Quanto dessas manifestações são geradas pelo Espírito Santo? O ambiente de louvor não deve ser de manipulação, de tentar mudar ou melhorar o nosso ânimo, de estimular as emoções, de obter vantagens para nós mesmos. Deve ser um ambiente de entrega a Deus, de desejo de conhecê-lo, de esperar nEle, de dar espaço para Ele. Os músicos estão ali para acompanhar e não para presidir, por isso, é melhor que eles fiquem sentados aguardando a orientação dos pastores.

A presidência e coordenação das reuniões é de responsabilidade dos pastores, são eles que devem orientar e direcionar a reunião. Qualquer irmão que for participar da reunião deve consultar os pastores para que eles julguem se o que esse irmão vai falar deve mesmo ser dito a toda a igreja, ou é uma palavra específica para ele próprio.

1 Co 14:20 “Irmãos, não sejais meninos no juízo; na malícia, sim, sede crianças; quanto ao juízo, sede homens amadurecidos.”

Esta prática nos livrará de muitas participações desnecessárias. Isto não significa que os pastores estão assumindo o lugar do Espírito Santo, mas sim, discernindo não só se alguém vai falar ou não, mas também se não é hora de fazer outra coisa. Mesmo com todo esse cuidado é possível que alguém vá a frente e fale bobagens. E daí? Estamos em família, e quando uma família se reúne as crianças brincam e falam bobagens. Toda família ri e se diverte com elas. Quando estamos reunidos, temos que manter o quanto pudermos o espírito de família.

MESMO QUE NÃO SEJAMOS RESPONSÁVEIS POR PRESIDIR O ENCONTRO SOMOS RESPONSÁVEIS POR PARTICIPAR, ESSA É NOSSA JUSTA COOPERAÇÃO

Almejar uma reunião perfeita, onde ninguém cometa erros é também uma obra da carne. Deus vai permitir que se cometam erros para que se quebre toda glória humana de que a nossa reunião é perfeita. A questão não é se vai ou não haver erros, os erros podem ser corrigidos depois, o que Ele quer é que haja em todos uma clara disposição no coração de edificar os demais irmãos.

A falta de espaço para se cometer erros pode inibir a participação e produzir uma congregação muda. Todos tem que saber que há liberdade para se cometer erros, e o laboratório para tudo isso é o encontro da igreja nas casas.

Participação ampla e espontânea não é o mesmo que participação longa. Uma participação longa pode atrapalhar a reunião e inibir outros irmãos de participar.

I Co 14:27 “...que não sejam mais do que dois ou quando muito três, e isto sucessivamente,...” (Sucessivamente – Um após o outro) Este texto aponta para a diversidade que deve haver nas reuniões, não podemos ficar com uma coisa só, apenas com um tipo de manifestação. Há muita graça na igreja, o apóstolo Paulo disse: “cada um de vós tem...”

FATORES QUE INIBEM A DIVERSIDADE NAS MANISFESTAÇÕES

O chamado “mover do Espírito”. Não o mover do Espírito, mas o chamado mover do Espírito. Começa o encontro com todos orando buscando a direção daquilo que o Senhor quer naquele encontro, e nesse mover alguém tem lá uma forte impressão de que temos que fluir sobre proclamação, Deus quer falar conosco sobre proclamação, dar fruto, ter compaixão. Tudo agora começa a apontar para proclamação, os cânticos são dirigidos nesta direção; se alguém vai dar um testemunho, tem que ser sobre proclamação, a pregação vai ser sobre proclamação. Se alguém tem uma carga diferente dessa, o que faz? Se cala. Pois se alguém se levantar e dizer que tem uma carga sobre educação de filhos, vai ser dito que está fora do mover do Espírito.

Isso se torna um obstáculo, porque se cada um tem salmo, será que todos tem o mesmo salmo? Se cada um tem doutrina, todos tem a mesma doutrina? Então, entendemos que o mover do Espírito é tudo aquilo que o Senhor tem colocado no coração dos irmãos que estão naquele encontro, todas as cargas que ele colocou no coração dos irmãos que estão ali, é o mover dele para aquele dia. Imaginemos que estamos num encontro orando, e um irmão se levanta e diz: “irmãos, esta semana Deus me falou ao coração sobre a necessidade dos maridos amarem suas esposas”. E durante um tempo ele fala sobre o que significa amar as esposas. E outro que tem a mesma carga levanta e confirma o que está sendo dito. Outro pode se levantar e falar sobre a necessidade de entrar no quarto e orar, lançando sobre o Senhor nossas ansiedades. E assim, um após o outro poderão falar. É certo que vão falar sobre tudo o que estão aprendendo, o que está enchendo seus corações.

A DOUTRINA NÃO DEVE SER EXPLICADA, DEVE SER REPETIDA

PARTICIPAÇÃO – ESPONTANEIDADE – DIVERSIDADE

APRENDENDO A PROFETIZAR

Dos dons espirituais este é o mais importante. Por que? Porque edifica Cristo no coração dos irmãos. Necessariamente não significa dizer: “Assim diz o Senhor...” Esta linguagem é comum no Antigo Testamento.

A profecia é para edificar, consolar e exortar e não para derrubar. Há irmãos que são pessimistas e quando vão profetizar expressam esse sentimento. Cuidado! Acusação é uma característica de satanás. A característica do Espírito Santo é a consolação. Com quem queremos nos parecer?

Temos que aprender a crer numa simples palavra de edificação, consolo e ânimo. A igreja é edificada com estas participações. O Espírito Santo quer usar os irmãos para profetizar para que toda a igreja receba edificação, consolação e ânimo. Isto deve ser feito da maneira mais simples e objetiva possível. A profecia é dada a toda igreja, por isso, o ambiente das reuniões deve ser calmo, sem barulho para que todos possam ouvir, sem ansiedade, sem pressa e sem medo do silêncio.

Nós não sabemos a necessidade dos irmãos, mas o Espírito Santo sabe. Por isso, devemos profetizar com liberdade segundo a carga que ele nos coloca. A profecia não está relacionada somente ao uso do microfone nas reuniões, mas no dia-a-dia, nas casas, na edificação mútua de uns para com os outros.

Ter cuidado com a leitura de longos trechos das escrituras. Às vezes é muito mais importante, e poderá produzir muito mais, se os irmãos participarem com aquilo que lembram, com o que está no coração a respeito de algum texto. Não podemos transformar a profecia em leitura das escrituras.

Se o Senhor nos lembra de algum texto da escritura é para que nos levantemos e profetizemos, proclamemos à igreja o que está em nosso coração a respeito daquele texto. Não é apenas a lembrança de um texto, mas é a palavra que Deus colocou em nosso coração, e deve ser proclamado assim.

Profetizar não é simplesmente falar e compartilhar uma palavra. Só é profecia quando de fato somos inspirados pelo Espírito Santo a compartilhar. A profecia deve expressar o que está no coração. Deus não está preocupado se há palavras bonitas ou não, o importante para Deus é se a profecia procede de um coração simples que o ama com sinceridade e que quer edificar os irmãos. É importante que haja palavra de Deus nos encontros pois ela revela a vontade de Deus e aquilo que mais vai ter peso no encontro.

Toda essa diversidade de manifestações e participações, não inibe e nem anula o ensino pastoral. Em cada reunião sempre haverá espaço para que os pastores ao perceberem a necessidade, se levantem, e falem o que tem que falar, trazendo ensino e orientação específica para aquele encontro.

MAIS ALGUNS TEXTOS

Que reforçam a verdade de que os dons e a graça para participar da edificação da igreja quanto aos encontros nas casas e geral, estão sobre todos, e não apenas sobre alguns:

“ Porque, pela graça que me foi dada, digo a cada um dentre vós que não pense de si mesmo além do que convém; antes, pense com moderação, segundo a medida da fé que Deus repartiu a cada um.” (Romanos 12:3)

1 Coríntios 7:7 “ ... cada um tem de Deus o seu próprio dom; um, na verdade, de um modo; outro, de outro.”

1 Coríntios 12:7,11 “7 A manifestação do Espírito é concedida a cada um visando a um fim proveitoso. 11 Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas estas coisas, distribuindo-as, como lhe apraz, a cada um, individualmente.”

Efésios 4:6-7 “6 um só Deus e Pai de todos, o qual é sobre todos, age por meio de todos e está em todos. 7 e a graça foi concedida a cada um de nós segundo a proporção do dom de Cristo.”

1 Pedro 4:10 “ Servi uns aos outros, cada um conforme o dom que recebeu, como bons despenseiros da multiforme graça de Deus.”

1 João 2:20 “ E vós possuís unção que vem do Santo e todos tendes conhecimento.”