EM DEFESA DA FÉ

 

“ Não julgueis, para que não sejais julgados.” Mateus 7:1

“Acautelai-vos dos falsos profetas, que se vos apresentam disfarçados em ovelhas, mas por dentro são lobos roubadores. 16 Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros ou figos dos abrolhos? 17 Assim, toda árvore boa produz bons frutos, porém a árvore má produz frutos maus. 18 Não pode a árvore boa produzir frutos maus, nem a árvore má produzir frutos bons. 19 Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo. 20 Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis. 21Nem todo o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus. 22 Muitos, naquele dia, hão de dizer-me: Senhor, Senhor! Porventura, não temos nós profetizado em teu nome, e em teu nome não expelimos demônios, e em teu nome não fizemos muitos milagres? 23 Então, lhes direi explicitamente: nunca vos conheci. Apartai-vos de mim, os que praticais a iniqüidade.” Mateus 7:15-23

Com certeza existe uma harmonia entre o julgamento puramente leviano e inconseqüente e a passividade diante dos ensinos e práticas daqueles que exploram o povo de Deus. Quando o Senhor nos proibiu de exercer julgamento aos nossos irmãos, sua intenção era evitar a hipocrisia farisaica entre seus filhos. Ele não tinha em mente nos “amordaçar”, e com isso, nos deixar imobilizados diante desses falsos profetas e lobos; por isso, Ele nos deu uma saída: “pelos seus frutos os conhecereis”. É extremamente importante que encontremos uma expressão prática para o exercício deste discernimento sob pena de sermos engolidos pela avalanche de falsos ensinos que atuam hoje na igreja.

 

O Modelo de Paulo

 

Temos no apóstolo Paulo, talvez, o maior modelo de como nos conduzirmos. Ele é, a um só tempo, um grande incentivo a não nos calarmos diante dos falsos profetas, e um desafiador exemplo de como buscar conciliação com os que, simples e sinceramente, pensam diferente de nós. Paulo era radical, duro e intransigente quando a verdade ou princípios estavam em jogo e, admiravelmente maleável e flexível quando a questão só envolvia costumes, hábitos ou qualquer coisa que não ameaçasse a integridade da verdade de Cristo. Duro no absoluto, flexível no relativo. Firme no princípio, maleável no método. Vejamos alguns textos onde Paulo revela toda sua radicalidade e intransigência, observando como ele tratava esta questão e que adjetivos usava para definir os falsos profetas:

 

Gálatas 1:6-9 “Admira-me que estejais passando tão depressa daquele que vos chamou na graça de Cristo para outro evangelho, 7 o qual não é outro, senão que há alguns que vos perturbam e querem perverter o evangelho de Cristo. 8 Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema. 9 Assim, como já dissemos, e agora repito, se alguém vos prega evangelho que vá além daquele que recebestes, seja anátema.”

 

Gálatas 5:12 “ Tomara até se mutilassem os que vos incitam à rebeldia.”

 

Filipenses 3:2, 17-19 “Acautelai-vos dos cães! Acautelai-vos dos maus obreiros! Acautelai-vos da falsa circuncisão! 17 Irmãos, sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós. 18 Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. 19 O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas.”

 

Paulo era contundente e quase dramático: “repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando.” O que ele dizia repetidas vezes aos irmãos é aquilo que às vezes hoje, tememos dizer uma única vez. Ele denunciava os inimigos da cruz de Cristo, os cães, os maus obreiros! E o fazia repetidas vezes. Paulo não está falando de pessoas que não tivessem acesso à igreja, mas dos “que andam entre nós...”. Eram pessoas acima de qualquer suspeita, que podiam “andar entre nós”, sendo necessário que o apóstolo os denunciasse como perigosos inimigos da cruz de Cristo. Não havia meias palavras ou qualquer esforço por conciliação. Não há conciliação com esse tipo de gente! De fora ficarão os cães, diz o Senhor! (Ap 22:15). Como Paulo identificava e reconhecia um inimigo da cruz? Da maneira mais elementar e simples: ele diagnosticava a doença a partir dos sintomas. Seguia a instrução do Seu Senhor: “Assim, pois, pelos seus frutos os conhecereis”. Havia uma evidência que dava a Paulo toda segurança para discernir que tais homens eram inimigos da cruz de Cristo, que seu destino seria a perdição, que tinham o ventre por seu deus e sua infâmia por glória. Esta era a evidência: eles só se preocupavam com as coisas terrenas.

 

Colossenses 2:8 “ Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas, conforme a tradição dos homens, conforme os rudimentos do mundo e não segundo Cristo;”

 

1 Timóteo 1:3-7 “Quando eu estava de viagem, rumo da Macedônia, te roguei permanecesses ainda em Éfeso para admoestares a certas pessoas, a fim de que não ensinem outra doutrina, 4 nem se ocupem com fábulas e genealogias sem fim, que, antes, promovem discussões do que o serviço de Deus, na fé. 5 Ora, o intuito da presente admoestação visa ao amor que procede de coração puro, e de consciência boa, e de fé sem hipocrisia. 6 Desviando-se algumas pessoas destas coisas, perderam-se em loquacidade frívola, 7 pretendendo passar por mestres da lei, não compreendendo, todavia, nem o que dizem, nem os assuntos sobre os quais fazem ousadas asseverações.”

 

1 Timóteo 4:1-2 “Ora, o Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé, por obedecerem a espíritos enganadores e a ensinos de demônios, 2 pela hipocrisia dos que falam mentiras e que têm cauterizada a própria consciência,”

 

1 Timóteo 6:3-5,20,21 “Se alguém ensina outra doutrina e não concorda com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com o ensino segundo a piedade, 4 é enfatuado, nada entende, mas tem mania por questões e contendas de palavras, de que nascem inveja, provocação, difamações, suspeitas malignas, 5 altercações sem fim, por homens cuja mente é pervertida e privados da verdade, supondo que a piedade é fonte de lucro. “20 E tu, ó Timóteo, guarda o que te foi confiado, evitando os falatórios inúteis e profanos e as contradições do saber, como falsamente lhe chamam, 21 pois alguns, professando-o, se desviaram da fé. A graça seja convosco.”

 

2 Timóteo 2:15-18 “Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que maneja bem a palavra da verdade. 16 Evita, igualmente, os falatórios inúteis e profanos, pois os que deles usam passarão a impiedade ainda maior. 17 Além disso, a linguagem deles corrói como câncer; entre os quais se incluem Himeneu e Fileto. 18 Estes se desviaram da verdade, asseverando que a ressurreição já se realizou, e estão pervertendo a fé a alguns.”

 

2 Timóteo 4:1-4 “Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: 2 prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. 3 Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; 4 e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.”

 

Tito 1:15-16 “Todas as coisas são puras para os puros; todavia, para os impuros e descrentes, nada é puro. Porque tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas. 16 No tocante a Deus, professam conhecê-lo; entretanto, o negam por suas obras; é por isso que são abomináveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra.”

2 Coríntios 11:12-15 “Mas o que faço e farei é para cortar ocasião àqueles que a buscam com o intuito de serem considerados iguais a nós, naquilo em que se gloriam. 13 Porque os tais são falsos apóstolos, obreiros fraudulentos, transformando-se em apóstolos de Cristo. 14 E não é de admirar, porque o próprio Satanás se transforma em anjo de luz. 15 Não é muito, pois, que os seus próprios ministros se transformem em ministros de justiça; e o fim deles será conforme as suas obras.”

 

Existem marcas comuns em todos os fraudulentos: Não suportam serem rejeitados; amam o serem reconhecidos e aceitos; têm necessidade de serem distinguidos. Nesta ânsia de louvor, ultrapassam o que está escrito em favor de uns e em detrimento de outros (1Co 4:6). Atropelam princípios e mutilam verdades. Sempre invejosos, favorecem, traem, fazem de tudo para não serem esquecidos. Por mais que se esforcem não conseguem esconder o desconforto em ver outros serem destacados mais do que eles. Se alguém é louvado, sentem-se desprezados. Assim como satanás, se alimentam da honra que não lhes pertence. Para tanto, se transformam em ministros de justiça, como satanás em anjo de luz. Por isso mesmo, terão igual destino.

 

Efésios 4:14 “...para que não mais sejamos como meninos,... levados ao redor... pela artimanha dos homens, pela astúcia com que induzem ao erro”. Paulo não está se referindo a um tipo de homem que, simplesmente, esteja equivocado. Não! Ele fala de homens maus, cheios de artimanhas, homens astutos que, intencionalmente, buscam angariar simpatias, honras, lucros e benefícios humanos diversos, não se importando com o destino das vidas que foram compradas pelo sangue precioso de nosso Senhor.

 

Que contraste com os verdadeiros pastores! Com os que amam o rebanho de Deus e se fazem servo de todos, não se importando com a própria reputação: “Estamos orando a Deus para que não façais mal algum, não para que simplesmente pareçamos aprovados, mas para que façais o bem, embora sejamos tidos como reprovados” (2Co 13:7-10; 12:21). Que espírito movia Paulo senão o Espírito de Cristo.

 

Queremos concluir esclarecendo que, existem muitos homens sérios e sinceros que estão cometendo muitos erros, mas estes, estão simplesmente equivocados ou não estão devidamente esclarecidos. Preciosos “Apolos”, aguardando quem os esclareça enquanto seguem, ardendo em genuíno zelo pela obra de Deus, servindo com deficiências e limitações. Nós mesmos conhecemos e nos relacionamos com muitos destes e, entre eles, nós mesmos.

 

Para estes, nossas mãos estendidas, nossos braços abertos e nosso coração dilatado. Para estes, todo nosso empenho em preservar a unidade do Espírito no vínculo da paz. Contudo, que o Senhor nos conceda a capacidade de explodir em indignação contra os que ameaçam o fruto do penoso trabalho da alma do nosso bendito Senhor. Assim fez Jesus, o manso e humilde Cordeiro de Deus, em Jerusalém, quando profanavam o templo, que até aquele momento, ainda era a Casa de Deus. Assim fez o humilde Paulo quando a verdade de Cristo foi ameaçada entre os santos.

 

Que o Senhor tenha misericórdia de nós!