CONSIDERAÇÕES SOBRE A EDUCAÇÃO DOS FILHOS

A. INTRODUÇÃO

Durante anos trabalhamos com a certeza de que os nossos filhos constituiriam uma geração especial de discípulos: santos, fiéis, fervorosos e ousados na proclamação da verdade em que foram instruídos desde o berço.
Hoje, porém, as evidências não apenas frustram as nossas expectativas, como nos assustam e nos enchem de cuidados, levando-nos a esforços de emergência para, pelo menos, conservar nossos filhos no Reino.

Se a referência para comparação é o mundo ou mesmo a grande maioria da igreja evangélica, os nossos resultados são excelentes (segundo estatísticas, mais de 50% dos jovens e adolescentes evangélicos do Brasil são sexualmente ativos). Se, porém, a nossa referência é as Escrituras, precisamos, urgentemente, fazer correções no rumo.
Mais do que alcançar nossos próprios filhos pesa-nos como presbíteros, "fazer caminhos retos...", por onde a igreja possa caminhar com segurança. Seja nosso, o clamor do Messias: "Não sejam envergonhados por minha causa os que esperam em Ti, ó Senhor, Deus dos Exércitos; nem por minha causa sofram vexame os que te buscam, ó Deus de Israel" (Sl 69.6).

B. AVALIANDO NOSSA REALIDADE

Qual a razão deste quadro? Só vejo três alternativas:
1. Nossa expectativa era utópica e o quadro que presenciamos é perfeitamente normal.
Não creio que tivéssemos expectativas descabidas ou irreais. Sinceramente, estou convencido que o Senhor quer e levantará uma geração santa e ousada nestes últimos dias. Uma geração apta para enfrentar um mundo cada vez mais hostil, irreverente, rebelde e amante da iniqüidade. Uma geração que se constituirá “... igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga,... porém santa e sem defeito".
Uma geração singular. A geração que, provavelmente, resistirá à apostasia, enfrentará o Anti - Cristo e verá a volta do nosso Amado Senhor (Tt 2.11-14). Aleluia!
2. Nossa compreensão da doutrina está equivocada
Não vejo como acrescentar ou subtrair qualquer coisa daquilo que temos ensinado sobre este assunto. A doutrina é bíblica, completa e perfeita.
3. Nossa prática não é coerente com o que cremos e ensinamos sobre criação de filhos Considerando a minha experiência pessoal, e penso que é uma amostra representativa da realidade da maioria das famílias da igreja, vejo-me enquadrado na terceira alternativa: minha prática não tem sido coerente com o que cremos e ensinamos sobre educação de filhos.

C. QUANTO PRATICAMOS DAQUILO QUE CREMOS?

Segundo a doutrina que ensinamos quanto à educação dos filhos, os pais devem:
1. Ser modelos para os filhos em tudo;
2. Dar-lhes afeto, amizade e carinho;
3. Dar-lhes instrução espiritual e secular;
4. Exercer autoridade (disciplina).
Pergunta-se: somos excelentes na observação deste ensino? Façamos uma rápida avaliação.

1. MODELO:

Ainda baseado na minha experiência pessoal, quero sugerir alguns aspectos do convívio familiar onde podemos estar falhando e comprometendo a formação de nossos filhos:
1.1 "O amor não se exaspera" - quantas vezes nos exasperamos com nossos filhos, ou com nossas esposas, ou ainda com situações que nos tiram da nossa dedicação ao serviço, e isso à vista deles? (O que chamo aqui de exasperação, não é gritaria ou descontrole emocional, mas manifestações de impaciência, ainda que pequenas, ou rispidez nas palavras).
Todos nós, em todos os nossos relacionamentos, uma vez ou outra, manifestamos impaciência sem que isto signifique um grande desastre. O problema no trato com os filhos é que estas manifestações são freqüentes e regulares e, no caso de alguns, até diárias, tornando-se uma marca do relacionamento. Uma marca que, certamente, não lembra Jesus.
1.2 Demonstração de gozo no Senhor - nossos filhos conhecem muito do nosso compromisso, dedicação e disposição ao sacrifício por causa do Reino de Deus (até porque, esta atitude, muitas vezes, nos rouba deles). Mas, quanto eles conhecem do nosso gozo, satisfação e senso de auto - realização no serviço ao Senhor? Quantos manifestam, em casa, da exuberante vida de Cristo (1Pe 3.8; Tg 1.2; Fp 4.4; Gl 522; Rm 14.17; At 13.52; Jo 16.16; Sl 4.7; 16.11; 43.4; 84; 94.19 etc)?
1.3 A presença de Cristo no lar - temos proporcionado em nossas casas, um ambiente
genuinamente espiritual, onde há adoração, louvor (não cânticos no toca-fitas) e ações de graças?
A presença de Cristo é a marca de nosso relacionamento doméstico?
É notório o temor de Deus em nossos filhos?
É natural nos determos com eles para orar, dar graças, explicar e aplicar as Escrituras, fora dos momentos de disciplina ou os agendados para instrução?
Lembro-me que muitos anos atrás, quando eu tinha apenas duas filhas, declarei para a igreja (neste tempo estava me reunindo em uma denominação na cidade) que o meu grande temor não era o que o mundo pudesse oferecer aos meus filhos, ou o que eles pudessem ver de atraente no mundo, mas que eu não lhes oferecesse Jesus de modo claro e cativante, ou que eles não conseguissem ver em mim, Aquele de quem diz a Escritura: "O Seu falar é muitíssimo doce; sim, Ele é totalmente desejável.’... Como ungüento derramado é o teu nome... Em Ti nos regozijaremos e nos alegraremos; do teu amor nos lembraremos mais do que do vinho; não é sem razão que te amam!" (Ct 5.16; 1.3,4).
1.4 Instrução x paixão - não estaremos comunicando muito do nosso entendimento e pouco do nosso coração e paixão?
Não estaremos sendo muito técnico?
Quantos têm levado nossos filhos a se identificarem com os que sofrem, na igreja e fora dela? Quanto os levamos a terem compaixão pelos perdidos e ensinado que vale a pena fazer tudo para levar alguns a Cristo e perder tudo por causa de Cristo? (Fp 3. 8-11; 1Co 9.19-23).
Temos buscado, de modo sistemático e persistente (como o fazemos com a área de formação profissional), desenvolver em nossos filhos um ideal de amor e serviço ao próximo? "Pois também o Filho do homem não veio para [ser servido], mas para servir, e para dar a sua vida em resgate de muitos".
1.5 O envolvimento dos filhos em nosso serviço - na maioria das vezes em que estamos evangelizando, ensinando, aconselhando, corrigindo e orando pelas pessoas, nossos filhos não estão por perto. Quando chegamos em casa, muitas vezes, estamos cansados e querendo conforto mais do que confortar. “Baixamos a guarda", relaxamos. Nos comportamos como quem chegou do trabalho e precisa e quer descansar. Fico me perguntando:
a) Por que, ao chegarmos em casa, ao invés de ligar a televisão ou fazer qualquer outra coisa similar, não reunimos e compartilhamos com a nossa família tudo o que Deus fez por nosso intermédio naquele dia, dando graças, orando e nos alegrando juntos? Que boa maneira seria esta de tornar nossos filhos participantes de nosso serviço na casa de Deus!
Fico me perguntando mais: não seria isto o que faziam os apóstolos, ou os reformadores, ou os morávios, ou os puritanos, nos bons tempos em que não existia vídeo, TV e tantos outros entretenimentos? Ou ainda, não seria isto que fazia A. W. Tozer ou mesmo Ivan Baker, a quem dedicamos tanta admiração e gratidão, mas que pouco imitamos em nossa vida pessoal?
Por que não permitirmos e até incentivarmos que nossos filhos participem de conversas e resolução de problemas de irmãos que recebemos em nossas casas (desde que não seja um assunto muito sigiloso ou constrangedor)?
Será que não podemos levá-los conosco mais vezes, quando saímos para atender ao serviço da Igreja?
Não seriam estas, boas maneiras de discipulá-los e envolve-los com a obra, ajudando-os a desenvolver zelo e compaixão?
Temo que estejamos comunicando aos nossos filhos mais a liberdade que temos em Cristo do que a piedade que vemos em Cristo e a paixão que experimentamos por Ele.
Nossos filhos não foram gerados pelo Espírito Santo, nem são cheios do Espírito desde o ventre, ao contrário, já nascem na carne, como bons filhos de Adão (Gn 5. 3; 8. 21; Rm 5.12; 8.7) sendo-lhes, naturalmente, muito mais fácil seguir seus apetites naturais do que "mortificar os feitos do corpo” (Rm 8.13).
Na maioria dos nossos programas de lazer, nossos filhos estão conosco (restaurantes, praias, jogos, filmes, brincadeiras, churrascos, clubes etc), mas não é assim quando estamos orando, evangelizando, enfrentando religiosos, ensinando, aconselhando, expulsando demônios, orando por enfermos, socorrendo necessitados, chorando, gemendo, exercendo autoridade etc.
O que os marcará mais: a liberdade e o lazer, ou a piedade, compaixão e zelo?
Não se propõe eliminar a liberdade, mas acrescentar a piedade, no mínimo, na mesma medida.

2. INSTRUÇÃO

Dt 6.4-9
Este é o aspecto onde mais dificuldade tenho tido de praticar e perseverar em um padrão de excelência.
Nossos filhos são bombardeados todos os dias com uma imensa variedade de informações e influências mundanas e pecaminosas. São, literalmente, catequizados por um sistema de valores contrário a Deus.
Estejam onde estiverem, o que eles ouvem e vêem é inveja, ciúme, ódio, ira, indignação, traição, malícia, infidelidade, mentira, rebelião, irreverência, roubo, homicídio, fornicação, adultério, homossexualismo, perversões diversas, idolatria, feitiçaria, esoterismo etc. Estas coisas estão presentes na sala de aula, nas conversas com colegas, nas músicas que se ouve (mesmo quando não se quer), na TV, nas revistas, na literatura didática, nos out door, no cinema etc.
Se quisermos filhos excelentes não é bastante ter com eles um encontro semanal (quando se tem) para falarmos do Senhor. É indispensável praticarmos o que está ordenado em Dt 6.4-9. “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de toda a tua força. Estas palavras que hoje TE ORDENO, estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e DELAS FALARÁS”:
+ ASSENTADO EM TUA CASA,
+ E ANDANDO PELO CAMINHO,
+ E AO DEITAR-TE,
+ E AO LEVANTAR - TE.
Também as atarás como sinal na tua mão e te serão por frontal entre os teus olhos. E as escreverás nos umbrais de tua casa, e nas tuas portas."
Pergunta-se: qual de nós segue este padrão, ou mesmo concorda que deve ser assim?
Talvez precisemos aplicar o princípio da catequese de um modo mais bíblico, como o fazem, por exemplo, os muçulmanos.
Muitos pensam que a dificuldade de alcançar os muçulmanos com o evangelho deve-se à oposição e perseguição dos governos islâmicos. Isto não é verdade. A oposição e perseguição dos judeus e do governo romano à igreja dos primeiros séculos, assim como as perseguições comunistas à igreja do século XX, foram muito mais sistemáticas e cruéis do que aquela que, hoje, é empreendida pelos países islâmicos. É sabido que o século XX produziu mais mártires que os outros dezenove séculos de Cristianismo. Contudo, tanto a igreja do princípio, quanto à igreja nos países comunistas, tiveram um crescimento extraordinário.
O verdadeiro motivo para a falta de sucesso na evangelização dos povos islâmicos é que os filhos, desde a mais tenra infância, são catequizados com o Al Corão e contra o cristianismo. São ensinados a detestarem a bíblia como um livro deturpado e cheio de folclore e lendas inúteis. Um livro de mentiras. Os apóstolos são apresentados como homens maus que deturparam o ensino do profeta Jesus e introduziram a adoração a Maria e a heresia da divindade de Cristo e do Espírito Santo. Do mesmo modo os judeus comercializaram o Tora, adulterando-o.
Quando um muçulmano zeloso encontra um cristão, ele tenta evangelizá-lo com o islamismo. Eles protegem seus filhos contra o cristianismo do mesmo modo que nós, por exemplo, protegemos os nossos contra o espiritismo.
Se um povo catequizado com a mentira pode ser tão zeloso, como seriam nossos filhos se fossem catequizados, de fato, com a verdade de Deus? (Dt 4.5-9; Sl 78.3,4; Pv 22.6).

3. AFETO E AMIZADE

O afeto, amizade e carinho dedicados aos filhos fazem parte das chamadas afeições naturais (Rm 1.3; 2 Tm 3.3; 1Ts 2.7; Lc 15.20-31) inerentes a todo ser humano. A ausência destas características é uma evidência de separação e rebelião contra Deus.
O Senhor exalta a dedicação da mãe e o cuidado do pai comparando-os com os seus próprios sentimentos para com o Seu povo (Is 49.15; Ml 3.17; Sl 27.10; Os 11.1.3,4, 8), além de exigi-los na doutrina (Tt 2.4).
Carinho e amizade permitem a aproximação confiante e o diálogo franco, que possibilita o conhecimento mútuo e a interferência contínua na vida dos filhos. Proporciona uma convivência harmoniosa, alegre e agradável.
Mesmo não tendo dados precisos para fazer uma avaliação consistente, penso que não é esta a nossa maior dificuldade.

4. AUTORIDADE (Disciplina)

(A exposição a seguir não tem a intenção de convencer a nenhum dos irmãos da importância do assunto. Apenas busca ajudar na argumentação usada com a igreja ou com os próprios filhos.).
A autoridade é a maior bênção do mundo e uma das maiores manifestações do amor de Deus. Nós e nossos filhos precisamos estar muito bem convencido disso. Tomemos como exemplo as forças da natureza:
Como seria a natureza rebelada e sem controle? Só traria destruição.
É preciso entender que pessoas sem governo sobre si provocam iguais estragos morais e espirituais e até mesmo físicos e materiais.
Podemos ainda falar das leis físicas, como a lei da gravidade, por exemplo, ou leis biológicas (consideremos todas as questões que envolvem a higiene), e mesmo leis humanas, como as do trânsito.
Que aconteceria se estas leis fossem violadas? Embora existam para o nosso bem e segurança, sofreríamos danos seriíssimos se as violássemos.
Nós e nossos filhos precisamos entender que existem leis espirituais regendo o relacionamento pai / filho, que precisam ser observadas para o nosso bem e o deles.
“Filhos, obedecei a vossos pais no Senhor, pois isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra”.
E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor “(Ef 6.1-4)”.
Consideremos alguns aspectos que envolvem este relacionamento:
4.1. A Submissão, Honra e Serviço aos Pais como Característica dos Filhos.
. Ex 21.15 - morte ao filho que ferisse aos pais. Lv 20.9 - morte ao filho que amaldiçoasse aos pais
. Dt 21.18-21 - morte ao filho rebelde e contumaz (obstinado em desobedecer). Pv 28.24 - advertência séria ao filho que rouba seus pais
. Pv 30.17 - maldição ao filho que escarnece dos pais. Mq 7.1-6 - desprezo do filho aos pais como evidência de degradação moral
. Lc 15.29 - obediência e serviço como evidências de filiação (nem sabia que era participante dos bens do pai. Considerava-se mais servo que herdeiro; o contrário dos filhos de hoje). Ef 6.1-3 - mandamento que exige honra e obediência dos filhos e autoriza a disciplina pelos pais
. Fp 2.22 - Paulo, querendo destacar a qualidade do serviço de Timóteo comparou-o como o serviço de um filho ao seu pai.
Percebe-se uma nota de reverência aos pais por parte dos filhos. Uma reverência exigida por Deus.
É interessante perceber como os filhos de Noé (homens casados e que não tinham ouvido nada de Deus, apenas de seu pai) acompanharam o pai naquela loucura, expondo-se ao ridículo e toda zombaria. O pai seguiu a Deus, os filhos seguiram ao pai.
Fica evidente uma confiança em que à vontade de Deus emanava pelo pai para a família.
Esta mesma confiança transparece em Isaque quando era levado para ser imolado, e se ofereceu ao pai sem nenhuma resistência (tão perfeita foi a sua submissão que se tornou um tipo de Cristo).
Já adulto (40 anos - Gn 25.20), aceitou que o pai lhe indicasse uma esposa e o proibisse de se casar com uma estrangeira ou mesmo fosse a terra da sua parentela procurar esposa (Gn 24.1-9).
Até o profano Esaú chorou desesperado quando descobriu que seu pai abençoara seu irmão e não reservara nenhuma benção para ele (Gn 27.33-38).
Mesmo guardando-se as devidas proporções de cultura, costumes e até mesmo o tipo de aliança que Deus tinha com os homens naquela época, permanece um princípio que é imutável: é por meio dos pais que Deus governa os filhos.
4.2. Submissão x Herança Genética
Alguns pais se comportam como se os seus laços afetivos e genéticos estivessem acima de tudo. Até mesmo dos princípios de Deus. Nesta disposição mental, às vezes, nos momentos de crise, atropelam princípios divinos, tentando salvar os filhos.
No nosso esforço em ganhar nossos filhos, devemos dar a nossa vida por eles, como o nosso Senhor deu a Sua por nós, mas nunca usar recursos humanos contrários ao conselho de Deus.
É importante avaliar, à luz das Escrituras, como é que Deus vê esta relação pai / filho.
Podemos perceber algo do ponto de vista de Deus, observando Seu relacionamento com a nação de Israel (que Ele criou e elegeu para Si mesmo, como o Seu povo escolhido), e o ensino e exemplo de Seu Filho, Jesus Cristo, nosso modelo eterno.
. Dt 32.5,6 - a rebelião transformou filhos em nódoas e deformações. Is 1.2-5 - a rebelião causando espanto e trazendo juízo;
. Is 30.9-15.
. Ml 1.6 - honra e respeito como exigências legítimas dos pais aos filhos. Mt 5.44,45 - a obediência como condição para se ser filho;
. Mt 21.28-32 - fez a vontade do pai aquele filho que o obedeceu. Mt 12.49,50 - Jesus condiciona o parentesco consigo a obediência ao Pai. Lc 15.11-32 - não se considerava digno de ser filho por ter se rebelado. Jo 6.38; 8.29 - a aprovação do Pai condicionada à obediência do Filho;
. Jo 15.10 - usufrui os benefícios do amor do Pai àquele que lhe obedece. Fp 2.5-8 - o Filho obedeceu em tudo, mesmo quando não queria. 1Co 15.25-28 - o Filho permanece sujeito, porque é filho. Hb 12.4-9 - quem não aceita a disciplina, deixa de ser filho e se torna bastardo.
Biblicamente, a submissão aos pais, e não a herança genética, é a maior evidência de filiação.
Alguns episódios nas Escrituras reforçam este entendimento:
. Lv 10.1-6. - Arão é proibido de chorar por seus filhos. Era preciso entender que além de serem seus filhos eles eram profanos e irreverentes. Por isso o Senhor os matou.
.1Sm 2.12-17; 22-36; 3. 11-13) - Eli e seus filhos são mortos porque Eli os honrou mais do que a Deus. Eli, apenas os aconselhou, quando deveria condená-los à morte pelos pecados que cometiam.
A adoção de filhos pode ilustrar isso: Eu não sei quem foi o sujeito que gerou Mateus (meu filho adotivo) e de quem ele herdou as características genéticas. Mas, uma coisa eu sei com toda a certeza: este homem não é o seu pai. O seu pai sou eu, que sou responsável por ele, e a quem ele se submete com alegria.
Se Mateus, que não foi gerado por mim se mantém submisso, e uma das filhas que gerei, se rebela contra mim, eu pergunto: qual dos dois é filho?
Entre os pecados que caracterizariam os homens dos últimos dias está incluída a desobediência aos pais (Rm 1.28-32; 2Tm 3.1-5).
O texto diz que são passíveis de morte os que tais coisas praticam. Entre estes pecados está o homicídio, blasfêmia, impurezas sexuais - pecados punidos com a morte no Velho Testamento, assim como a rebelião contra os pais. Para estes pecados não havia remissão, no tempo da Lei.
O sentimento e indignação de Deus contra estas práticas não mudaram.
Deus hoje não exige a morte dos filhos rebeldes pelo mesmo motivo pelo qual, também, não exigem a morte dos feiticeiros, blasfemos, adúlteros e afeminados: o Cordeiro já foi morto no lugar deles (Is 53.5-6; 2Co 5.21).
A maneira de Deus salvar Adão foi expulsando-o do Éden.
A única maneira de devolver a sensatez ao filho pródigo, foi permitindo que sofresse as conseqüências de sua louca decisão.
Às vezes, o excesso de proteção leva à perdição (Pv 19.19). Do modo como o evangelho de ofertas apresenta Deus como servo dos homens, corremos o risco de apresentar os pais como servos dos filhos.
Do modo como não podemos apresentar um "evangelho" que seja do homem, para o homem e pelo homem, ignorando a justiça de Deus, também não podemos conceber um relacionamento entre pai e filho em que o filho é honrado e a verdade de Deus desonrada.
Hoje, no mundo, os filhos se comportam como se os pais fossem seus mordomos. São exigentes e cobradores. Acham que submissão é coisa de gente tacanha e medíocre. Consideram autoridade sinônimo de tirania, dominação e autoritarismo, quase crueldade. Confundem rebelião com liberdade. Guardemos nossos filhos desta geração maligna, criando-os na admoestação e temor do Senhor.
"Quem, porém, é suficiente para estas coisas?" (2Co 2.16). A nossa esperança está em Jesus que vive em nós (Gl 2.20; Cl 1.27), e para interceder por nós (Hb 7.25). Aquele que morreu e ressuscitou (Rm 8.34). O Deus que efetua em nós, "tanto o querer como o realizar, segundo a Sua boa vontade" (Fp 2.13) e que “... é poderoso para fazer infinitamente mais do que tudo quanto pedimos, ou pensamos, conforme o Seu poder que opera em nós". (Ef 3.20).

D. CONCLUSÃO

É da maior importância entendermos que a nossa confiança não pode estar no ensino simplesmente, mas em Cristo que é a Palavra Viva.
Sem uma clara e reverente dependência de Deus, de pouco valerá a observação rigorosa de todos os procedimentos.
A letra em si é fria e pode levar à morte, mas o Espírito é que vivifica.
Sem fé, a aplicação da doutrina nada mais será do que legalismo religioso, mas com fé, será a verdade que guardará nossos filhos do mal. Aleluia!
A seguir, algumas sugestões de questões que podemos discutir com os nossos filhos.
A diferença entre ser famoso e ser importante
A diferença entre o que é comum e o que é normal (moralmente falando)
Idealismo X Sucesso profissional (a única vida digna de ser vivida é a de serviço a Deus e ao próximo (Mc 12. 28-31)).
Relacionamentos com demandas X Relacionamentos sem demandas (com freqüência eles preferem e valorizam mais os relacionamentos que não lhes demandam deveres e rotinas)
Complexo de velório (a importância de não deixar coisas pendentes nos relacionamentos)
Ideal X Ambição
O Reino e a Sexualidade (exemplo da pessoa hermafrodita)
O ambiente permissivo e liberal das faculdades e escolas modernas como ideal para a formação dos jovens X Daniel e seus amigos na corte de Nabucodonozor

EFS