É como terminamos que conta!

Joy Dawson

Desejo considerar as razões pelas quais, alguma pessoas que no passado foram usadas por Deus (e, muitas vezes, poderosamente usadas) hoje se se encontram relativamente sem poder.

Deus quer usar estas considerações como uma advertência àqueles que:

1) Têm esperanças de ser usados por Ele pela obediência às verdades reveladas;
2) Estão sendo usados por Deus;
3) Como explicação àqueles que foram mais usados por Deus no passado, do que estão sendo usados agora, e mostrar-lhes o meio pelo qual podem voltar a ter um ministério ungido e produtivo.

O preço a ser pago para se ter uma unção constante no ministério e uma comunhão íntima e duradoura com Deus é bastante elevado. É o preço da obediência. Mas as recompensas que Deus oferece superam em muito o preço exigido.

Precisamos estar constantemente nos perguntando: “Será que a unção de Deus sobre o meu ministério, no presente, é menor do que a que tive no passado? Será que já houve momentos em que experimentei uma comunhão mais íntima com Deus do que a que tenho agora?”

Se a resposta for positiva, precisamos parar e passar alguns momentos na presença de Deus, pedindo-lhe que nos revele os pecados que causaram esse declínio. Não devemos sair de sua presença, enquanto não obtivermos a resposta dEle, e não tivermos nos arrependido e feito as reparações que Ele exigir.

Deus ensina claramente em Ezequiel 18:21-24 que não importa o quanto tenhamos sido justos no passado; Ele nos julga com base no que somos agora. Aliás, um aspecto da justiça de Deus é o fato de que, quanto mais conhecimento tivermos, maior será a nossa responsabilidade de vivermos de acordo com eles – e maiores os juízos que receberemos de Deus. Tiago 3:1 diz o seguinte: “Meus irmãos, não vos torneis muito de vós mestres, sabendo que havemos de receber maior juízo.”

E no Salmo 92:12-14, Deus deixa bem claro que seu desejo é que tenhamos um ministério produtivo e ungido até a velhice. Tudo depende da retidão de nossos atos.“O justo florescerá como a palmeira, crescerá como o cedro do Líbano. Plantados na casa do Senhor florescerão nos átrios do nosso Deus. Na velhice darão ainda frutos, serão cheios de seiva e de verdor.

Os pecados que examinaremos a seguir são alguns dos mais comuns dentre os que podem causar a perda da unção no ministério, e, se continuarem, com o passar do tempo, podem até destruir nosso ministério:

1. Deixar de observar o momento à sós com Deus.

Cometemos este pecado quando não mantemos com consistência a leitura e estudo da Palavra de Deus, para conhecê-Lo melhor. “Pois misericórdia quero, e não sacrifício; e o conhecimento de Deus, mais do que holocaustos.” (Os. 6:6) “O princípio da sabedoria é: adquire a sabedoria; sim,com tudo que possuis adquire o entendimento.” (Pv.4:7) “O temor do Senhor é o princípio da sabedoria, e o conhecimento  do Santo é prudência.”(Pv. 9:10)

Só poderemos fazer com que outros conheçam a Deus, na medida em que nós próprios o conhecermos. Quantas vezes damos a outros uma imagem distorcida de Deus, simplismente porque não tivemos o cuidado de estudar o seu caráter, em todas as suas facetas. Não o conhecemos intimamente, nem como amigo, nementendemos seu caráter e nem os princípios pelos quais Ele opera. Precisamos erguer o mesmo clamor de Paulo: “Para o conhecer e o poder da sua ressurreição e a comunhão dos seus sofrimentos, conformando-me com ele na sua morte.” (Fp.3:10) E também o de Moisés: “Rogo-te que me faças saber neste momento o teu caminho, para que eu te conheça, e ache graça aos teus olhos.” (Ex. 33:13). Depois temos que mostrar a Deus que realmente estamos sendo sinceros, dedicando-nos à leitura de Sua Palavra, crendo que Ele nos revelará tanto a si mesmo como o seu caminho.

Outra forma de cometermos esse pecado é deixar de dedicar alguns momentos, sem pressa, só para louvá-Lo. “...Ao Senhor teu Deus adorarás e só a Ele darás culto.” (Mt. 4:10) Essa ordem é muito importante. Nosso servir ao Senhor pela adoração nunca deve ser inferior ao serviço que lhe prestamos, trabalhando diretamente com as pessoas. Se assim for, nosso ministério para com as pessoas será relativamente fraco.

A terceira maneira como cometemos este pecado é deixando de interceder pelos outros. “Já ninguém há que te invoque, que se desperte e te detenha.” (Is. 64:7) “Viu que não havia ajudador algum, e maravilhou-se de que não houvesse um intercessor.” (Is. 59:16)

2. Desobediência constante as verdades reveladas.

“Nenhum dos homens que, tendo visto a minha glória e os prodígios que fiz... e todavia me puseram à prova já dez vezes e não obedeceram à minha voz, nenhum deles verá a terra que com juramento prometi a seus pais.” (Nu 14:22,23)

Bastou a Saul um ato de desobediência, quando rejeitou a palavra de Deus que lhe viera por meio de Samuel, para que perdesse a unção.

Salomão desobedeceu a Deus ao obter cada vez mais esposas e cavalos. Ele não apenas perdeu sua unção, mas Deus levantou contra ele três adversários. Nenhum outro líder de Israel teve uma formação mais grandiosa, um início de ministério mais auspicioso, ou maior potencial para o sucesso que ele.

“Ora, sabemos que o temos conhecido por isso: se guardamos os seus mandamentos. Aquele que diz: eu o conheço, e não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e nele não está a verdade.” (I Jo.2:3,4)

Certo pastor contou-me que estivera desobedecendo a uma ordem de Deus para deixar o pastorado de uma igreja grande, e aprimorar seus conhecimentos missionários, para depois trabalhar no campoestrangeiro. Disse que as conseqüências tinham sido as seguintes: seu relacionamento com Deus deixara de ser uma comunhão íntima e passara a ser uma amizade vaga; já não ouvia Deus falar-lhe com a mesma freqüência de antes; perdera a unção que tinha no ministério de ensinar; seu amor por missões mundiais quase desaparecera; sentia- se entediado e frustrado.

Ele se arrependeu profundamente, e obedeceu ao chamado de Deus, e cada uma dessas situações, que resultavam de sua desobediência, mudou completamente. Hoje, ele goza de um grande sendo de realização e de muita alegria, advindos de sua obediência.

3. Hipocrisia

Agimos com hipocrisia, quando não estamos vivendo de acordo com a verdade divina, e deixamos de confessar isso publicamente, ao entregar uma mensagem, proclamando estas verdades.

Essa condição abrange também a falta de preparo antes de pregar, pois não preparando, somos como o profeta que não “esteve no conselho do Senhor, viu e ouviu Sua palavra”, como diz o Senhor em Jeremias 23:18,21,22. Somos hipócritas, quando entregamos mensagens sem mencionar a origem delas. O verso 30 afirma: “portanto, eis que eu sou contra esses profetas, diz o Senhor, que furtam as minhas palavras, cada um ao seu companheiro.” (Jr. 23:30)

Não basta conhecermos a verdade e a pregarmos a outros; temos que viver a verdade e ser a verdade. Só assim podemos fazer com que o Espirito de Deus atue no sentido de motivar outros para receberem a verdade e viverem de acordo com ela. “Porque Esdras tinha disposto o coração para buscar a lei do Senhor e para a cumprir e para ensinar em Israel os seus estatutos e os seus juízos.” (Ed. 7:10)

Somos Hipócritas tambem quando levamos uma vida dupla – por exemplo, temos um relacionamento ruim em casa, mas projetamos publicamente um imagem de que tudo está bem.

4. Relacionamento pecaminoso com um dos dois sexos, em pensamento, palavras ou atos.

Nossa amizade com outra pessoa somente é santa se nossos pensamentos a respeito dela forem santos. “Eu, porém, vos digo. Qualquer que olhar para uma mulher com intenção impura, no coração já adulterou com ela.” (Mt. 5:28) “Porque, como imagina em sua alma, assim ele é.”(Pv.23:7). “O que encobre as suas transgressões jamais prosperará; mas o que as confessa e deixa, alcançará misericórdia.” (Pv.28:13)

Perdemos a unção por não reconhecermos esses pecados e os confessarmos, ou mesmo por não fazermos as reparações necessárias, exigidas por Deus, após o buscarmos diligentemente para resolver o problema. “Ou não sabeis que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não vos enganeis: nem impuros, nem idólatras... nem maldizentes, nem roubadores herdarão o reino de Deus.” (Ico. 6:9,10)

5. Não perdoar aqueles que nos magoam.

“Atentando diligentemente por que ninguém seja faltoso, separando-se da graça de Deus; nem haja alguma raiz de amargura que, brotando, vos pertube e, por meio dela, muitos sejam contaminados.” (Hb. 12:15)

O pecado do ressentimento é uma das forças mais destrutivas de nossa mente, corpo e espírito, e, conseqüentemente, de nosso ministério. Deus diz em Mateus 6: 14 e 15 que, se não perdoarmos aos outros, ele não perdoará nossos pecados. Muitos perderam o poder que tinham no ministério – e acabaram perdendo o próprio ministério – por não terem pedido a Deus, nem recebido dele o espírito de perdão para poderem perdoar a outros. Um dos ministérios do Espírito Santo é justamente conceder-nos este espírito de perdão e amor. “O amor de Deus é derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi outorgado.”(Rm. 5:5)

6. Tocar no ungido do Senhor.

“Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas.” (Sl.105:15) “Não julgueis para que não sejais julgados. Pois com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com a medida com que tiverdes medido vos medirão também.” (Mt.7:1,2)

Muitas vezes, as pessoas cometem o pecado da crítica e do julgamento errado, por não conhecerem todos os aspectos de uma questão. Por vezes, elas ironizam outros, com observações sarcásticas sobre o trabalho ou os métodos deles. Certa vez, um pastor me disse:

- Os piores castigos que tenho recebido de Deus são os que me vêm por ter falado contra o ministério de outros.

A Bíblia deixa bem claro que Deus considera bastante grave este pecado, pela maneira severa como foram castigadas a profetiza Miriã, em Números 12:9-10; Mical, esposa do Davi, em II Samuel 6:23. Miriã ficou leprosa e Mical tornou-se estéril.

Certa ocasião, participei de uma série de conferências, onde me encarregaram do aconselhamento das Senhoras. Houve ali uma operação poderosa do Espírito Santo. Num dado momento, eu estava falando com uma senhora, e sentia a inspiração do Espírito, e os seus problemas estavam sendo resolvidos. Subtamente, senti que não sabia mais o que devia dizer ou fazer. Pedi ao Senhor que me mostrasse se havia em mim alguma coisa que estava impedindo a operação do Espírito, para dar-me sabedoria e conhecimento e logo senti convicção de pecado.

Lembrei-me de que, nesse mesmo dia, eu havia feito, ao meu marido, um comentário negativo sobre um dos oradores da conferência. Lembrei-me também de que confessara aquele pecado a Deus, na presença de meu marido. Mas não tinha visto esse pecado, como Deus o vê, e assim sendo, minha confissão e arrependimento haviam sido bastante superficiais. Eu tocara no ungido do Senhor, e ele queria mostrar-me a gravidade do pecado que eu cometera.

A convicção foi-se tornando mais e mais intensa, e eu caí de joelhos e clamei pela misiricórdia de Deus. Afinal, senti novamente a sua paz, ergui-me e recoloquei-me nas mãos de Deus para auxiliar aquela senhora. Imediatamente, senti o Espírito operar novamente. Naquele dia, um grande mudança teve lugar em mim - uma mudança muito humilhante e necessária. Aprendi, de maneira muito vívida, a verdade de Jeremias 15:19 “... se apartares o precioso do vil, serás a minha boca.”

7. Orgulho – tomar a glória de Deus e aplicá-la a nós mesmos.

“... A minha glória, pois, não a darei a outrem.” (Is.42:8)

Daniel advertiu ao Rei Nabucodonosor, em Daniel 4:25-27, para que se arrependesse de seu pecado e reconhecesse a soberania de Deus. Um ano depois, houve um momento em que ele deixou de fazê-lo, e recebeu de Deus o castigo mais humilhante possível; “Foi expulso de entre os homens, e passou a comer ervas como os bois.”

“Agora, ó sacerdotes, para vós outros é este mandamento. Se o não ouvirdes, e se não propuserdes no vosso coração
dar honra ao meu nome, diz o Senhor dos Exércitos, enviarei sobre vós a maldição, e amaldiçoarei as vossas cabeças, e amaldiçoarei as vossas bênçãos.” (Ml 2.1-2)

8. Orgulho – Não aceitar correção.

Nós nos tornamos conscientes disso quando o Espírito Santo dá testemunho ao nosso coração de que:
a) a correção provém dEle.
b) É feita no momento certo.
c) É feita em amor, ternura e mansidão.

Em II Crônicas 26:16-20, vemos como o Rei Uzias resistiu à repreensão dos sacerdotes, quando estes lhe chamaram a atenção, por haver ultrapassado os limites de seu ministério, entrando numa esfera que não era a sua. O resultado está no verso 21: “Assim ficou leproso o Rei Uzias até ao dia da sua morte... porque foi excluido da casa do Senhor.”

9. Ciúmes

Isso acontece quando deixamos de reconhecer que Deus está sendo glorificado pela vida e ministério de outra pessoa e de nos regozijarmos com o fato.

Saul amou a Davi até o momento em que Deus usou-o mais poderosamente do que a ele. “Então se indignou muito, pois estas palavras lhe desagradaram em extremo; e disse: Dez milhares deram elas a Davi, e a mim somente milhares; na verdade, que lhe falta, senão o reino? Daquele dia em diante, Saul não via a Davi com bons olhos.” (I Sm. 18:8-9)

O castigo que Deus lhe deu por este pecado de ciúme foi bastante severo e incomum. Diz o verso 10: “No dia seguinte um espírito maligno da parte de Deus se apossou de Saul, que teve uma crise de raiva em casa...”

10. Insubmissão à autoridade de outros.

Incorremos neste pecado quando não nos submetemos à autoridade de outros. “Sujeitando-vos uns aos outros no temor de Cristo.” (Ef.5:21) Também pecamos em desobediência a Deus, pois ele deixa bem claro que temos que estar sob a autoridade dos outros. Finalmente, pecamos por não nos submetermos, quando nos encontramos sob a autoridade de um líder que atua segundo os princípios bíblicos.

11. Deixar de esperar em Deus, em todos os momentos, para receber a orientação dele com relação às pessoas que se acham sob nossa orientação

Isso significa não buscar a Deus para saber quem são as pessoas certas pra determinados ministérios, que atuarão pelos métodos certos, no tempo certo, para a realização de um programa. Davi cometeu um erro grave, nesta questão, como vemos em I Crônicas 13.

Mas a frustração acabou-se transformando um realização, pois ele se arrependeu de seu pecado de presunção, por não ter buscado a Deus nesse aspecto de seu governo, como lemos em I Crônicas 15. E ele diz o seguinte em Salmo 19:13: “Também da soberba guarda o teu servo, que ela não me domine; então serei irrepreensivo, e ficarei livre de grande transgressão.”

12. Respeito humano.

Ter respeito humano é recear mais a opinião dos homens com relação às nossas ações, do que a de Deus. “Quem teme ao homem arma ciladas...”

Deus não nos dará a verdadeira autoridade no ministério, enquanto não nos livrarmos dessas ciladas. E a única maneira de nos livrarmos delas é ter o Temor de Deus. Precisamos estar sempre suplicando-o a Deus, e recebendo-o pela fé. E reconheceremos que possuímos esse temor, quando nossa maior preocupação, durante todo o tempo, for querer saber as reações de Deus aos nossos atos.

Já vi muitos líderes espirituais perderem toda a autoridade de Deus em seus ministérios, devido ao temor dos homens. E essa autoridade só nos é restaurada depois que nos arrependemos e confessamos este pecado diante de Deus e dos homens, pedindo ao Senhor o seu temor.

13. Não satisfazer, diariamente, as condições para sermos cheios do Espírito Santo.

“... Enchei-vos do Espírito” (Ef. 5:18), tendo uma vontade totalmente rendida a Deus arrependendo-se de todos os pecados de que tem conhecimento e fazendo a reparação necessária, quando Deus assim o exigir, pedindo para ser guiado pelo Espírito Santo, e recebendo-o pela fé.

Em Lucas 13:6-9, temos a parábola da figueira. O seu proprietário fora ali três anos, esperando encontrar fruto nela, mas não achou. Decidiu, então, cortá-la. Mas depois concordou em esperar mais um ano, para ver se ela dava fruto; se não desse, ele a destruiria.

Deus, em sua misericórdia, nos faz muitas advertências para que nos humilhemos e nos arrependamos de nossos pecados, desses pecados que causaram a perda da unção em nosso ministério. Se resistirmos a Ele, nós nos tornaremos mais um dos inúmeros servos que desapontaram a Deus. “Portanto, eu vos julgarei, a cada um segundo os seus caminhos... diz o Senhor Deus. Convertei-vos e desviai-vos de todas as vossas transgressões; e a iniquidade não vos servirá de tropeço.” (Ez. 18:30)

Lemos em II Crônicas 35:27 a respeito dos atos do Rei Josias, “assim os primeiros como os últimos”. E no capítulo 16,verso 11, os atos de Rei Asa “assim os primeiros como os últimos”. Como será a narrativa de nossos últimos atos?

A maneira como iniciamos não importa muito – o que realmente importa é o modo como terminamos.

Reproduzido de Mensagem da Cruz – Editora Betânia