A Ardente Busca de Paulo

Charles Swindoll


O que desejamos é conhecer a Cristo com mai­or profundidade e intimidade. Estas não são palavras minhas, mas palavras encontradas na ver­são Amplificada da Bíblia no texto de Paulo aos Filipenses, capítulo 3, versículo 10. Leia as palavras seguintes bem devagar e meditativamente:

[Pois o meu propósito, bem determinado,] é conhecê-lo - é conhecer progressivamente a Cristo com maior profundidade e intimidade, percebendo, reconhecendo e entendendo [as maravilhas da sua Pessoa] de modo mais forte e com maior clareza. E, da mesma forma, chegar a conhecer o poder que flui da sua ressurreição [o poder exercido sobre os crentes]; e assim compartilhar de seus sofrimentos, sendo continuamente trans­formado [em espírito na sua exata semelhança] na sua morte. - Filipenses 3:10 (AMP)

Neste único período encontramos o grande alvo do apóstolo para a vida. Ele refere-se a este alvo como o seu "propósito bem determinado" como um seguidor do Senhor Jesus Cristo. Qual foi esse propósito? Volte atrás e leia o texto de novo, de pre­ferência em voz alta. Pense e repense com todo o cuidado o sentido das palavras-chave. Medite ne­las. Tome cada uma por vez e reflita:

É conhecê-lo...

progressivamente ... com maior profundidade

é conhecer... com maior intimidade

percebendo...

reconhecendo...

entendendo...

sendo continuamente transformado...

Haverá neste mundo algo mais importante para um filho de Deus? Acho que não. Contudo, estra­nhamente, bem poucos procuram alcançar esta tão importante prioridade.

Uma mudança é necessária! Como o grande apóstolo, façamos deste o nosso "propósito bem determinado". Nos esforcemos para deliberadamente abraçar este alvo: "conhecer a Cristo com maior profundidade e intimidade". Não é conhecer teologia dessa forma, por mais importante que ela possa ser. Não é conhecer a igreja com profundida­de e intimidade, por mais valorosa que ela seja. Não é o nosso compartilhar de Cristo aos outros, por mais estimulante e significativo que a evangeliza­ção possa ser. Não, não é nada disso que temos que conhecer com maior profundidade!

Devemos conhecer... a Cristo. A Cristo e somen­te a ele! De agora em diante, que o nosso alvo na vida seja conhecer a Cristo com maior profundida­de e intimidade. Creio que era precisamente isto que Jesus tinha em mente quando ordenou: "Mas, buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça..." (Mt 6:33-ACR-SBTB)

O salmista compreendeu. Ele, também, almeja­va isso.

Como suspira a corça pelas correntes das águas, assim, por ti, ó Deus, suspira a minha alma. A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo... - Salmo 42:1-2

Essas palavras só poderiam ter sido escritas por alguém cujo ser interior ardentemente desejava alcançar as profundezas. Como ele descreve de for­ma vivida esse seu desejo! "Por ti, ó Deus, suspira a minha alma.' Essa figura de uma corça suspirando por água é intrigante.

Os comentários feitos por Charles Spurgeon aqui são belos:

Davi estava aflito. Tranqüilidade ele não procurou. Honra, ele não invejou, mas o prazer de estar em comu­nhão com Deus era uma urgente necessidade da sua alma... uma necessidade absoluta, tal como a água para uma corça.... A sua alma, o seu próprio eu, a sua vida mais profunda encontrava-se em uma situação de sede insaciável por sentir a presença de Deus. ... Que tenhamos o mais intenso anseio pelo que há de mais ele­vado! 2

Não há nada - absolutamente nada - que te­nha maior importância do que conhecer a Cristo intensamente e de forma íntima. Este foi todo o ar­gumento de Paulo em suas palavras aos filipenses que antecederam à revelação do seu "propósito bem determinado".

Com largas pinceladas na tela da sua autobio­grafia, ele identifica os feitos mais salientes de sua vida:

Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu, quanto ao zelo, perseguidor da Igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível. - Filipenses 3:5-6

Que impressionante! Mas, antes que o leitor te­nha tempo de ponderar e começar a aplaudir, o es­critor apressa-se a declarar:

Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo. Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor;...e as considero como refugo, para conseguir Cristo. - Filipenses 3:7-8

Todas as demais coisas comparadas com o co­nhecer a Cristo de forma profunda e com intimida­de, ele considerou "perda ... refugo". O que nor­malmente faria com que as pessoas ficassem orgu­lhosas desvaneceu em uma insignificância pessoal. Que notável contraste!

Já que essa é a convicção firmada, ponderada, do apóstolo, eu sugiro que ela seja uma apreciação que deva ser colocada em prática por nós. Francamente, à luz do seu testemunho, eu me sinto encorajado a despender menos energia e tempo na busca de to­das as realizações que aos olhos humanos sejam tidas como notáveis, e dar mais energia e tempo ao cultivo de um relacionamento íntimo com Cristo, cujo conhecimento íntimo resultará em vida eterna. E penso que você sente isso também.

Extraído do Livro: Intimidade com o Todo Poderoso - Editora Mundo Cristão